terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Qual livro você está vendo?


Se você ficou confuso com a pergunta, é porque provavelmente não se deu conta de que muitas séries que fazem sucesso atualmente são baseadas em livros. Cada vez mais, é comum um livro virar ou um filme, ou uma série. Quem sabe, num futuro próximo, também as séries virtuais bebam dessa fonte. Afinal, tratando-se de arte, tudo é possível.

Embora um roteiro e um livro tenham muitas semelhanças, é preciso recordar que eles representam linguagens complemente diferentes. Enquanto um livro se permite longas descrições, o roteiro é a arte de transformar as palavras em imagens, quanto mais mostrar, melhor. Essa diferença valoriza ainda mais o trabalho dos roteiristas que transformam a adaptação para as telinhas em sucesso.

Os gêneros mais diversos, desde séries teens até as dramáticas, recorrem a livros que, geralmente, têm um público fiel e que acompanha a série para saber se lhe faz jus. Nem tudo é só elogio, afinal a escolha errada de elenco pode enfurecer alguns fãs, acostumados a imaginarem seus heróis e heroínas. Não se pode agradar a todos!

Poderia falar mais detidamente sobre diversas séries, mas escolhi apenas seis, reconhecendo que poderia falar de mais algumas, tais como Bones, Once Upon a Time e The Secret Circle. Os dois primeiros com uma inspiração leve ou “livre” e o último baseado em uma série de livros.

Coincidentemente, escolhi seis séries que, apesar das diferenças marcantes, são consideradas pertencentes majoritariamente ao gênero dramático. Vamos a elas:



 1) GAME OF THRONES: Baseada no conjunto de livros As crônicas do Gelo e do Fogo, do roteirista e escritor americano George R. R. Martin, a série é exibida na HBO e tem duas temporadas completas. Em torno da produção pairam duas polêmicas: além de o livro ser constantemente comparado à trilogia Senhor dos Anéis, seus fãs dizem que o fato de ter virado série inviabilizou sua ida para as telas de cinema.


2) THE VAMPIRE DIARIES: Inspirada na série homônima, da escritora americana L. J. Smith, pseudônimo de Lisa James Smith, é exibida pelo canal Warner. Os livros também estiveram no centro de uma polêmica das grandes: A escritora L. J. Smith acusou Stephanie Meyer, a autora de Crepúsculo, de plágio. Seu livro foi escrito em 1991 e a saga Crepúsculo somente em 2005. A autora disse que havia muitas similaridades entre os livros e que muita coisa teria sido tirada de outra série de livros sua, Night world – publicada de 1996 a 1998 – e chegou a desafiar Meyer a debater com ela via web, para explicar tantas coisas iguais. Novamente, mais uma coincidência: um livro virou sucesso no cinema e outro na TV.


3) TRUE BLOOD: Exibida atualmente pela HBO é uma das séries de maior audiência. Quem quiser conhecer um pouco mais da personagem principal Sookie Stachouse pode procurar pelos livros da autora Charlaine Harris. Lançado em 2001, a saga já ultrapassou a cifra dos 24 Milhões de cópias vendidas. Em setembro de 2009, sete dos vinte primeiros lugares da lista de best-sellers de ficção de bolso do jornal The New York Times eram ocupados pelos livros da série. Com a estreia da série na HBO, os livros voltaram a lista dos mais vendidos.


4) DEXTER: A trama sobre o psicopata Dexter Morgan foi escrita pelo dramaturgo e romancista americano Jeffry P. Freundlich, conhecido pelo pseudônimo de Jeff Lindsay. O primeiro livro da série de seis livros, denominado Darkly Dreaming Dexte foi traduzido como Dexter - A mão esquerda de Deus. Apenas após dois anos do lançamento do livro, em 2006 a história já era adaptada para a TV. A primeira temporada seguiu, quase fielmente, a história do primeiro livro da série; nas demais temporadas, a trama se afastou da história original.


5) PRETTY LITTLE LIARS: A série com um forte apelo teen, exibida pelo canal pago Boomerang, também é baseada em uma série composta por treze livros, da escritora Sarah Shepard. Todos os volumes foram lançados no Brasil. As histórias de Sara Shepard para a série Pretty Little Liars mantiveram-se por mais de 25 semanas na lista dos livros mais vendidos do The New York Times. A trama foi adaptada para a TV americana em 2010 e estreou no Brasil em 2011.


6) GOSSIP GIRL: Atualmente em sua sexta e última temporada, a série, também sucesso entre o público teen, é exibida pelo canal de assinatura GLITZ e foi baseada nos livros de Cessily Von Ziegesar. Os treze livros da série foram todos publicados no Brasil.


  
Estes foram apenas alguns aperitivos, para demonstrar que a conversa entre os tipos de arte é constante. The Walking Dead é um exemplo perfeito disso, uma vez que foi baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman e já se tornou uma febre entre os seus fãs da telinha.

E para os curiosos, fica um convite: aos leitores, para assistirem as séries na TV e aos telespectadores, para lerem os livros. Enfim, divertirem-se, ou vendo um livro ou lendo uma série.



Por Eliane Brito para Redewebtv, publicado em 18.11.2012


Dispa-se. Dispa-se dos preconceitos.




Tem muita gente por aí torcendo o nariz para a onda de livros eróticos que invadiram as editoras.
Não discuto aqui a qualidade das obras. Umas são mais bem escritas que as outras, mas isso acontece em todos os gêneros. O que é preciso dizer sobre essa onda, talvez passageira ou não, é prateleiras das editoras e se transformaram, rapidamente, em sucesso mundial. Muitos consideram uma literatura água com açúcar, descartável e que lembra em muito os livros das séries Bianca, Sabrina e Júlia, que eram vendidos em bancas de jornal ou facilmente adquiridos em feiras públicas.



Apesar da crítica desfavorável, os títulos se transformam em fenômenos de vendas e agradam mulheres diferentes, de diferentes países; levando-se a criar a denominação de “mommy porn” (pornô para mamães) para este gênero.



O precursor dessa onda, o primeiro livro da trilogia, escrito pela inglesa Érica Mitchel - mais conhecida pelo pseudônimo E. L. James - e nomeado 50 Tons de Cinza (50 Shades of Gray no original), só no Brasil já vendeu mais de 300 mil exemplares, e mais de 40 milhões de exemplares no mundo. Mais do que isso, direcionou a visão da indústria editorial para um público que ainda não havia sido fisgado por outros gêneros.



Esbarro com os títulos dessa trilogia diariamente nas estações de metrô. As leitoras são as mais variadas: adolescentes, jovens, mulheres acima dos trinta, de diversas raças e, acredito eu, diversas religiões. Todas compenetradas em suas leituras; uma leitura fácil e, por esse motivo mesmo, de fácil absorção. Mais interessante que isso é que o sexo, um dos tabus de nossa sociedade, representado pelo relacionamento entre o casal principal do livro, é o assunto ali retratado. E essas mulheres realizam suas leituras sem nenhuma vergonha, sem necessariamente estarem se expondo, avalizadas pelo fato de ser o livro um Best-seller e de que “aqueles que não o estão lendo, estão falando sobre ele”.



Altamente influenciado pelo fenômeno dos 50 tons, a escritora Sylvia Day, uma americana, escreveu a trilogia Crossfire, publicado no Brasil pela editora Paralela e cujo primeiro volume ganhou o nome de Toda Sua. Atualmente, esse título já ocupa o terceiro lugar entre os livros mais vendidos do Brasil, no gênero ficção, perdendo apenas para a série que lhe serviu de inspiração.



Esses números exprimem que a tendência desse mercado é crescer e segundo site Pausaparaumcafe.com.br, pelo menos 25 obras eróticas já foram compradas ou estão em processo de negociação com as editoras estrangeiras. Muitos títulos já chegaram aqui e, o interessante, por meio de editoras que, em sua maioria, não são grandes, ou são “braços menores” de editoras consagradas. Tais como: Luxúria, de Eva Berlin (editora Leya); Falsa Submissão, de Laura Reese (Record); Belo Desastre, de Jamie Mcguire (editora Verus); Algemas de Seda, de Frank Baldwin (editora Geração); Butterfly, de Kathryn Harvey (Universo dos livros), Bem Profundo, de Portia da Costa (editora Planeta), entre outras.

Motivadas por promessas de romances quentes, essas leitoras consumem avidamente esses romances e vão buscando títulos similares. Em um país em que a juventude não lê tanto quanto devia, creio que fenômenos como esse – e que já havia ocorrido anteriormente com livros de outros gêneros como Harry Potter, Senhor dos Anéis, Código Da Vinci e Guerra dos Tronos – devem ser louvados porque eles são a porta de entrada para a chamada “grande literatura”.



Quem sabe essas mesmas leitoras, ávidas pelas cenas quentes entre as Anas, as Evas, os Christians e os Gideons, não acabem descobrindo a existência de um Marquês de Sade, ou então de Pauline Réage, responsável pelo romance A História de Ó, publicado na França em 1954, e que se tornou o ícone da literatura erótica do século XX. Tratando-se de literatura, tudo é possível.



Mas para isso, é necessário despirmo-nos de nossos preconceitos e aceitar a leitura do outro, seja ela qual for.



Por Elih Brito para Rede Webtv, publicada em 04/11/2012


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